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O Casamento Real Britânico


A única manchete dos noticiários do Brasil e do mundo nas duas últimas semanas foi o casamento Real entre o primogênito de Charles e Diana, o Príncipe William, com a plebéia Catherine (Kate) Middleton. Mas se este blog tem o intuito de dvulgar o sistema Monárquico para o Brasil, o que o casamento Real britânico tem a ver? Pois bem...

Sabendo que a Monarquia Parlamentar é o sistema de governo mais eficiente segundo a ONU, sabemos que a realeza britânica é a mais cara do mundo e, ainda assim, consegue ser 20 vezes mais barata do que a nossa república, quebrado o mito de que no sistema Monárquico Parlamentar, o Monarca está apenas como um enfeite, e tendo conhecimento de que sua função a ser exercida é a de Chefe de Estado, ou seja, representante mor do povo daquele Reino, vamos entender esse frisson dos britânicos sobre o evento.

O casamento Real britânico não deve mudar em nada nossa vida no Brasil, como também não vai mudar em nada se seu time de futebol for campeão brasileiro ou mundial, e, mesmo assim, você vai para um local assistir ao jogo em um telão ou comemorar junto a tantos outros no meio das ruas. Portanto, nada de criticar o entusiasmo dos britânicos, hein?

Acontece que, ao contrário de um título futebolístico, o casamento Real influenciará SIM, na vida dos britânicos. Em um país onde existe um forte apego à Tradição, a Egrégora (o sentimento maior de um país) se faz sempre presente.

O casamento entre William (2º na linha de sucessão do trono britânico) e Kate significa a continuidade da Dinastia reinante. William cresceu sob os olhos dos britânicos e do mundo inteiro. É um homem responsável e cidadão britânico exemplar, tudo o que se espera de um herdeiro do Trono. Tudo que se espera de um representante do povo. Ele, em seu tempo, conversará com primeiros minitros ingleses sobre o rumo do país, sobre as questões referentes à educação, saúde, segurança e toda sorte de assuntos pertinentes ao povo. Ele não pertence, nem pertencerá à partidos políticos. Seu "partido" é o Reino Unido.
Como já vocês devem saber, no Brasil o cargo de representante do povo está nas mãos de alguém que não foi educado para isso, o presidente. O nosso representante do povo é comprometido ideologicamente com partidos políticos e ideologias. Acorda Brasil! O nosso representante do povo, NÃO REPRESENTA O POVO.

Para finalizar, veja algumas imagens do sentimento Nacional britânico. Unidos pela Tradição e mantendo a Egrégora forte! Eis o verdadeiro sentido de DEMOCRACIA =  o Povo no poder.

Parabéns ao Reino Unido e ao novo casal Real! 
 


 
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O Mais Injustiçado dos Brasileiros (Final)

 D. Pedro II com filhas e genros.

O governo chefiado por Deodoro foi pouco mais que uma ditadura militar. O exército dominava tudo tanto no Rio de Janeiro quanto nos estados. A liberdade de impressa desapareceu e as eleições eram controladas por aqueles que estavam no poder.  

"Permita que lhe ofereça os meus pêsames: o Brasil acabou de cometer o erro mais fatal de sua história." (Presidente do Equador ao embaixador brasileiro que veio lhe comunicar o golpe da república)

 O Imperador, fotografado por
Francesco Pesce.

Leiam o emocionante trecho do livro: Revivendo o Brasil Império, trecho esse que fala sobre a ida ao exílio da Família Imperial:

"Na sua viagem para o exílio, ao passar diante da última terra brasileira que veriam, os membros da Família Imperial decidiram enviar um pombo com uma mensagem, assinada por todos. Um criado escolheu um dos pombos mais vigorosos, que lhe pareceu capaz de transpor a distância que os separava da costa. D. Luiz de Orleans e Bragança, que tinha então 11 anos de idade, relatou depois, no livro 'Sob o Cruzeiro do Sul', as suas lembranças do episódio:

'Um pouco além de Cabo Frio – lembro-me como se fosse hoje – meu avô, querendo dar ao Brasil uma prova do seu inalterável amor, fez-nos soltar um pombo, em cujas asas ele próprio havia amarrado uma última mensagem. À vista da terra ainda próxima, a ave largou o vôo; mas um longo cativeiro lhe havia sem dúvida alquebrado as forças. Depois de haver lutado alguns momentos contra o vento, esmoreceu e vimo-lo cair nas ondas'.
 O bilhete dizia: Saudades da Pátria.."12

 O Imperador D. Pedro II com a Imperatriz e comitiva:
em suas muitas viagens, um comprador compulsivo de fotografias, que viraram preciosidades.

Às 00:35 do dia 05 de dezembro de 1891, D. Pedro de Alcântara, o menino, o jovem, o senhor Imperador do Brasil, faleceu de pneumonia aguda, sem abdicar da Coroa, sua filha Isabel tornou-se a herdeira do Trono Imperial Brasileiro.

Enquanto preparavam o corpo de Pedro II, o Conde d´Eu encontrou no quarto um pacote lacrado e uma mensagem escrita pelo próprio Imperador: "É terra de meu país, desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria". O pacote que continha terra de todas as províncias brasileiras foi colocada dentro do caixão. Foram utilizados três caixões: um de chumbo forrado de cetim branco com uma tampa de cristal, onde depositaram o corpo, e outros dois que revestiram o primeiro: um carvalho envernizado e outro de carvalho recoberto de veludo negro.

O governo brasileiro, temendo uma reação popular favorável ao Império, negaram a possibilidade de manifestação oficial sobre a morte do Imperador. Contudo, as manifestações ocorreram e "a república se calou diante da força e do impacto das manifestações."13

 15 de novembro, luto Nacional.

Em 1914, seria de Rui Barbosa, o último dos republicanos que realizaram o golpe de 1889 (e também quem ordenou o banimento), que viria o mais famoso discurso em homenagem a Dom Pedro II:

"A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. […] De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime [na Monarquia], o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante [Dom Pedro II], de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade."
O presidente Epitácio Pessoa, assinou a lei (com uma pena de ouro oferecida pela Associação Brasileira de Imprensa) em 3 de setembro de 1920 que revogava finalmente o banimento e permitia o translado dos corpos. Seu corpo seria mantido temporariamente na antiga Catedral do Rio de Janeiro até o término da construção da Catedral de Petrópolis. O enterro definitivo ocorreria somente em 5 de dezembro de 1939 para inaugurar a capela mortuária na catedral de Petrópolis onde os restos mortais do Imperador e de sua esposa foram depositados.
Fica então neste Blog registrado meu tremendo e profundo respeito por este Homem que tanto fez pelo Brasil. Percebo hoje, na televisão, as pessoas comemorando um sistema que lhe dá desgosto! E isso me faz pensar como pareço um louco em meio a eles. Considero minha loucura parecida com a do Raul... Uma "loucura real"!

Que a História ainda possa compensar o mal feito ao mais injustiçado dos brasileiros: D. PEDRO II.

Em 1981, ano em que deixou milhões de brasileiros órfãos.

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Referências
12 - DOM LUIZ DE ORLEANS E BRAGANÇA - Sob o Cruzeiro do Sul - Lith. Montreux, Montreux, 1913, p. 460.
13 – SCHWARCZ, p. 493
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O Mais Injustiçado dos Brasileiros (Parte II)

 D. Pedro II já adulto

D. Pedro era amante da educação, cultura e ciência, tendo contribuído grandemente para o Brasil nesses aspectos. Visto o tamanho que a postagem está tomando, e crendo na possibilidade de muitos não terem tempo ou disposição para lê-la, serei bem mais sucinto do que gostaria.
 
No dia 4 de julho de 1876, festa do centenário da independência americana, D. Pedro II se encontrava nos Estados Unidos, porém em caráter particular, como fazia durante as suas viagens. Estava programado um espetáculo de gala, do qual participariam o presidente Ulysses Grant e toda a representação do mundo oficial. Ao hotel em que estava hospedado como “D. Pedro de Alcântara”, foi-lhe enviado um convite para assistir à solenidade no camarote do presidente americano. D. Pedro agradeceu e devolveu, dizendo que não estava ali como Imperador, portanto não podia aceitar, mas que iria em caráter particular. E foi. Mas o mestre de cerimônias o conduziu a um camarote “particular”, vizinho ao do presidente. Quando D. Pedro apareceu no seu lugar, em companhia da Imperatriz, correu-se a cortina que separava os dois camarotes, e ele se viu ao lado do presidente, no mesmo camarote.

Desfraldaram-se nesse momento, unidas, a bandeira americana e a brasileira. Logo depois a banda entoou o hino brasileiro, e uma multidão entusiástica, de pé, saudou com prolongadas palmas e vivas o nosso Imperador. 8

Tão grande era a admiração dos americanos pelo nosso Imperador, que nas eleições presidenciais de 1877 ele recebeu, só em Filadélfia, mais de 4.000 votos espontâneos.
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Brasão da Casa Imperial do Brasil

Com o surgimento do movimento republicano, Deodoro da Fonseca foi, momentos antes da proclamação, convencido de que seria o mais correto a se fazer. Às 23 horas do dia 14 de novembro, Deodoro assumiu o comando de 600 homens, cuja maioria não sabia o que estava ocorrendo ou acreditava que iria se defender de um ataque da Guarda Nacional ou da Guarda Negra. Alguns poucos republicanos deram vivas a república, mas Deodoro mandou-os calarem a boca. 10

Para os brasileiros, o Imperador Pedro II é a representação típica
da figura paterna sábia, benevolente, austera e honesta.

Quando a república foi proclamada, houve a primeira tentativa de desvio de dinheiro público desse sistema, quando um carregamento de ouro foi oferecido ao Imperador deposto para que ele levasse consigo para o exílio (sim, a Família Imperial foi banida do Brasil). D. Pedro II recusou. Era dinheiro dos brasileiros, não dele. E mais, o soldo que recebia por ser Imperador nunca aumentou em 49 anos de governo, ainda que a Assembleia fosse favorável. D. Pedro II é que não era. Bem parecido com os aumentos concedidos aos nossos parlamentares por eles mesmos. (Que desgraça!)
D. Pedro II e família no Palácio São Cristóvão, em Petrópolis, em foto de Otto Hees, a última antes do fim do Império. Da esquerda para a direita: a imperatriz, D. Antonio, a princesa Isabel, o Imperador, D. Pedro Augusto (filho da irmã da princesa Isabel, d. Leopoldina, duquesa de Saxe), D. Luís, o conde D'Eu e D. Pedro de Alcântara (príncipe do Grão-Pará)


De forma covarde, a Família Imperial foi obrigada a deixar o país ainda de madrugada. Rui Barbosa, relembrando o ocorrido, falou ao Major Carlos Nunes de Aguiar que estava ao seu lado assistindo de longe o navio levantar âncoras: "Você teve razão de chorar quando o imperador partiu". Era "o fim da monarquia mas não do mito chamado D. Pedro." 11

(Continua...)
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Referências:
8 - MANFREDO LEITE - Saudades - O Livro, SP, 1922, p.62.
9 - SEBASTIÃO PAGANO - Eduardo Prado e Sua Época - O Cetro, SP, 1960, p.286.
10 - Carvalho, 2007, p 216.
11 - SCHWARCZ, Lilia Moritz, As Barbas do Imperador, Companhia das Letras, 2002, p. 463
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O Mais Injustiçado dos Brasileiros (Parte I)


Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança, ou simplesmente Pedro II, é, ao meu ver, o mais injustiçado dos brasileiros!

D. Pedro II foi deposto do Império do Brasil por um golpe militar em 15 de novembro de 1889. É difícil, caro leitor, desmistificar a visão que se tem deste honrado brasileiro, quando somos ensinados desde pequenos com livros e professores tendenciosos; quando percebemos que a república criou todo o mecanismo necessário para se destruir uma imagem positiva da Monarquia Brasileira, para que as pessoas crescessem ignorantes à essa época. Acho que nem os mais otimistas deles esperavam que desse tão certo. Mas deixem-me apresentar-lhes um pouco mais sobre D. Pedro II.

 D. Pedro de Alcântara não teve uma infância normal.

Nascido no Palácio de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista), Rio de Janeiro, a 2 de dezembro de 1825, D. Pedro de Alcântara não teve uma infância normal... E nem poderia. Sendo o único filho homem do Imperador D. Pedro I a sobreviver à infância, tornou-se o herdeiro da Coroa Imperial do Brasil. Todo herdeiro de Trono é educado desde cedo para um dia assumir o posto que lhe é devido. Em todo caso, vejo isso como um fardo. Filho também de Dona Maria Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, ficou órfão de mãe com pouco mais de um ano de idade. O pai, dizia com orgulho: "Meu filho tem sobre mim a vantagem de ser brasileiro."1

Em 09 de abril de 1831, com apenas cinco anos de idade, o jovem Pedro, assustado, com seu pai e sua madrasta longe, foi aclamado Imperador do Brasil (que seria governodo por uma Regência até que chegasse à maioridade e pudesse assumir o Trono Imperial do Brasil.

D. Pedro de Alcântara, aos 12 anos
representado por Félix Emili Tounay, em 1837.

O jovem imperador passava a maior parte do tempo estudando e aprenderia, ao longo de sua vida, a falar e escrever em português, latim, francês, alemão, inglês, italiano, espanhol, grego, árabe, hebraico, sânscrito, chinês, provençal e tupi-guarani.2 Sendo um monarca constitucional, sua educação era acompanhada atentamente pela Assembléia Geral que exigia por parte de Marquês de Itanhaém (Manuel Inácio de Andrade, seu segundo tutor, o primeiro havia sido José Bonifácio) relatórios acerca de seu progresso nos estudos.

A criação que recebeu o transformou numa pessoa tímida e carente e para fugir da realidade fez dos "livros um mundo à parte, em que podia isolar-se e proteger-se".3

Acontece que em meio às revoltas regenciais que ameaçavam a soberania do Estado Brasileiro, a população, que via em Pedro de Alcântara o símbolo vivo da unidade do país, desejava vê-lo em ação e saiam às ruas do Rio de Janeiro (então capital do Brasil) cantando a seguinte quadrinha:

"Queremos Pedro II
Embora não tenha idade!
A Nação dispensa a lei
E viva a Maioridade!" 4

Com a necessidade de um Imperador no Trono, e com o apoio popular, D. Pedro, ainda com quinze anos incompletos, foi declarado amparado pela Constituição, maior de idade e se tornou o segundo Imperador do Brasil, recebendo o título de D. Pedro II.

D. Pedro tornando-se maior de idade, com 14 anos,
assim poderia assumir o Trono Brasileiro.
Em seu governo, que durou 49 anos (1840 - 1889), houve desenvolvimento cultural e científico no país. Em um período onde era comum o entendimento científico de que existia de fato uma separação racial entre brancos, negros e amarelos, o Imperador sempre demonstrou um profundo ceticismo quanto a tal teoria e nunca se deixou convencer pela tese de diferenciação racial.5
É fato que D. Pedro II não possuia escravos que trabalhassem para ele, preferia dar-lhes salários, bem como o fazia a Princesa Izabel. Possuía amigos negros, inclusive seu tutor desde a infância, o afro-brasileiro Rafael, veterano da Guerra da Cisplatina (Rafael viria a falecer em 15 de novembro de 1889, com mais de 80 anos, quando soube que o Imperador seria exilado do Brasil). O engenheiro André Rebouças, também negro, autoexilou-se à época da proclamação da república, em solidariedade.
 
Ao ser declarado maior de idade, recebeu de herança 40 escravos. Mandou libertar todos.6

A tolerância do Imperador não se restringia somente aos negros, mas também aos muçulmanos, pois acreditava que a paz mundial seria sempre uma utopia, enquanto não se estabelecesse uma sincera conciliação entre o Ocidente e o Oriente. O mesmo se estendia aos judeus, como na vez em que respondeu ao seu amigo Gobineau a razão de não existir leis no Brasil contra os mesmos: "Não combaterei os judeus, pois de sua raça nasceu o Deus da minha religião".7
(Fim da Primeira Parte)

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Referências:
1 - LOEWENSTAMM, Kurt, Imperador D. Pedro II: O Hebraísta no Trono do Brasil, Centauro, 2002
2 - CARVALHO, José Murilo de, D. Pedro II, Companhia das Letras, 2007, p. 226.
3 - Carvalho, 2007, p 29.
4 - OLIVIERI, Antonio Carlos, Dom Pedro II, Imperador do Brasil, Callis Editora, 1999
5 – Loewenstamm, 2002.
6 - ALCÂNTARA, José Denizard Macêdo de, D. Pedro II, o Patrono da Astronomia
7 - Loewenstamm, 2002.
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Vídeo: A República assistencialista na visão do Príncipe D. Bertrand

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Livros à vista!


O blog Império Conservado está sorteando três grandes livros sobre o império brasileiro! “De olho em D. Pedro II e seu reino tropical”, de Lilia Moritz Schwarcz, nos convida a viajar no tempo através das imagens, e entender que pinturas oficiais, fotos, cadernos de caligrafia, diários, longe de meras ilustrações do contexto histórico, são imagens plenas de significados, capazes de dar novos contornos aos fatos. “1822”, o grande best-seller de Laurentino Gomes analisa o ano da independência com um novo olhar, livre de preconceitos e com um grande humor, nos mostrando que por trás dos mitos e das figuras históricas, havia homens cheios de sentimentos e paixões, que fizeram um país que tinha tudo para dar errado se encaminhar nos trilhos da soberania nacional. Por último, e o mais ilustre, “D. Pedro II, ser ou não ser”, de José Murilo de Carvalho (membro da Academia Brasileira de Letras), através de uma farta biografia e pesquisa histórica, nos revela duas personalidades distintas de um mesmo homem, Pedro de Alcântara e Dom Pedro II, e como essa luta interna constante forjou não apenas o maior estadista de nossa história, mas também os alicerces da nacionalidade brasileira.

Para participar do sorteio é muito simples: você precisa seguir o blog e retuitar (dar RT, como costumamos dizer) no tweet indicado pelo autores no Twitter (para acompanhar melhor o andamento dos sorteios, você pode seguir os autores). As datas dos sorteios se darão na seguinte ordem:

16/02 – De olho em D. Pedro II e seu reino tropical UPDATE (16/02/2011 23:57): sorteado para @dandaraniz
02/03 – 1822
UPDATE (13/03/2011 21:15): sorteado para @leonardobento
16/03 – D. Pedro II, ser ou não ser UPDATE (18/03/2011 14:30): sorteado para @SaoBlack


Os sorteios serão realizados de modo automático, através que um site que presta esta ferramenta de serviço ao Twitter (por isso, lembramos que é possível que a mesma pessoa seja sorteada mais de uma vez). Todos os sorteios se darão às 19:30 e os resultados serão divulgados no blog e no twitter de cada autor. Os contemplados deverão informar o endereço ao autor Diego Aleksandrovitch (@dihromanov), para o envio dos livros, num prazo máximo de 7 dias. Caso contrário, o resultado será anulado e um novo sorteio será agendado para data posterior (portanto, não perca o resultado de cada sorteio).


É fácil de mais! Agora é só seguir o blog e ficar atento aos tweets de nossos autores!

BOA SORTE!
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Onde reside o direito de reinar?

Onde reside o direito de reinar de um monarca?


Esta é uma questão muito levantada por republicanos convictos, que procuram defender a idéia de que as monarquias são, per se, fundadas em contos de fadas. Eles costumam argumentar que toda monarquia se baseia num direito dado por uma divindade, que, através desse direito, estabeleceria o monarca num pedestal acima de todos os demais viventes daquele país. Verdade seja dita, nas antigas monarquias absolutas e autocracias, o Estado usava essa justificativa. O rei era visto como um deus, ou como o ungido por Deus (nas monarquias cristãs e judaicas), cuja vontade era divina ou sagrada. O rei era a lei. Mas muito disso é exagerado nos livros de história atual, uma vez que nem o famoso Rei Sol, Luís XIV, estava livre da pressão de seus ministros e conselheiros. Por mais que o Estado sustentasse a imagem de um monarca todo-poderoso, cuja vontade era única e deveria ser satisfeita a todo custo, na realidade o rei era apenas um agente desse Estado: o principal, claro, mas não o único! A vontade do rei era sim a mais importante, dele emanavam todas as funções e atribuições do Estado, mas ele precisava obedecer às leis, senão humanas, as divinas. Um rei jamais poderia casar com uma plebéia, ou uma mulher divorciada. Também não poderia escolher qual religião seguir, ou qual dia ir às celebrações religiosas. Ele deveria ser o espelho da nação, seguir seus costumes, crenças e atender às expectativas morais de seu povo. Logo, nem mesmo nas monarquias absolutas o rei estava acima do dever, ou seja, o trono sempre foi uma cadeira de serviço.
Hoje em dia todas as monarquias do mundo ocidental, com exceção do Vaticano, possuem um sistema parlamentarista de governo: o rei reina, mas não governa. Os republicanos costumam alegar que na monarquia constitucional o argumento do direito divino não existe, e por isso, não há razão alguma para a chefia do Estado pertencer a uma determinada família, como um privilégio. É aí que eles falham, pois a chefia do Estado não é um privilégio, é um dever, e nas monarquias (ao contrário das repúblicas) isto está bem claro. Eles (os republicanos) perguntam, então, quem decide qual família deverá carregar este fardo. A resposta é simples: a Constituição, baseando-se, em primeiro caso, na tradição. Quando a monarquia é muito antiga num certo país, ela consequentemente evoluiu, e com o tempo adquiriu uma Carta Magna, que ratificou a legitimidade da dinastia, e delineou suas funções e deveres. A Constituição de países democráticos é sempre promulgada por um Parlamento, eleito pelo povo, ou ratificada por ele em casos mais raros. Logo, a monarquia e a dinastia são legitimadas pelo povo, pois uma coisa leva a outra. Mas os republicanos ainda argumentam que o povo não elege diretamente a dinastia, e isso seria apenas uma manobra pra manter essa família “no poder” (notem que eles têm uma grande afeição por essa palavra e seus sinônimos). O que eles não entendem, é que a cada dia o povo ratifica a monarquia e sua dinastia. Rei e povo estão sempre juntos, lado a lado, nos momentos de festa ou de dor, de estabilidade ou de crise. O rei, quando ascende ao trono, passa por um processo denominado “Aclamação”, que hoje em dia é muito mais importante que a “Coroação”. Sem a Aclamação do povo, ou seja, sem o consentimento do povo, sem a aprovação do povo, o monarca não tem onde legitimar seu reinado, e é nisto que, hoje em dia, reside o direito e o dever de uma dinastia. Nas repúblicas a vontade do povo se manifesta apenas no momento do voto, enquanto nas monarquias essa vontade é ouvida a cada dia, a cada momento. O rei aclamado por seu povo tem com ele um pacto: servi-lo, dedicar sua vida a seu país e se tornar o exemplo a ser seguido. São essas as maiores funções de um monarca e de uma dinastia, cuja legitimidade reside unicamente em seu povo.
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Esclarecendo a Monarquia, Parte 2: Governo e Estado

Na minha postagem anterior discorri um pouco sobre o que é e como funciona o sistema o sistema monárquico. Diferenciei a monarquia absolutista, que é uma ditadura da qual NÃO defendemos e a monarquia parlamentarista, que é democrática e falei, não só na postagem, mas através de um infográfico também, em como o governo pode ser menos corrupto nesse tipo de sistema. Agora vou falar aqui sobre governo e Estado.
Governo: é a organização, o poder e o aparato legal pelo qual os políticos exercem a sua autoridade, a via onde são feitas as decisões.
Estado: é o país soberano, com uma estrutura política organizada, ou seja, é o conjunto total das instituições que o formam, é a somatória do governo com as forças armadas, funcionalismo público etc. Para que haja Estado é necessário haver duas coisas cruciais: uma organização interna, que é o governo, e o reconhecimento de outros Estados da soberania desse governo.
Na realidade definir onde termina o Estado e começa o governo é muito difícil numa república, pois não há uma cisão clara. Isso pode se tornar perigoso, principalmente se o país estiver sob um governo coletivista, onde indivíduos passam a ser somente números para os planos do governo. Uma clara vantagem do sistema parlamentar monárquico é que justamente essa divisão se faz mais clara, permitindo que o Estado chefie de fato o governo. No nosso atual sistema presidencialista, o presidente da república faz as duas coisas: chefia o governo e o Estado, o que abre muitas oportunidades para golpes ditatoriais cruéis!
Basta observarmos a história da nossa república e contar as inúmeras revoltas internas e os golpes de Estado que o Brasil já passou, ela é testemunha do perigo que é não termos essa separação bem delineada entre os dois. Só tivemos homens aproveitadores que fizeram do nosso país uma propriedade privada que serve apenas aos interesses deles.
Ao separar concisamente o Estado do governo, também teremos mais autonomia para os estados da união (note bem que escrevi um em maiúsculo e outro em minúsculo, pois um se refere à federação e o outro às unidades que fazem parte dela), pois o poder estatal é descentralizado do governo automaticamente, o que garantiria um crescimento mais justo a todo Brasil e maior comprometimento dos políticos para com seus estados. Na monarquia, aliás, existe impeachment até para vereadores.
Restaurar a monarquia, portanto, não é interessante para aqueles que não querem justiça, retidão e moralidade, pois exige que os políticos trabalhem, coisa que nos últimos 122 anos eles não têm feito muito...

Infográfico: A Corrupção e o Sistema Parlamentar Monárquico

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Esclarecendo a monarquia

Não tenho medo em afirmar que o Brasil é um país essencialmente monarquista. Posso exemplificar isso através do imaginário da nossa população: o pai é tratado quase sempre como o rei da casa e a esposa a rainha do lar; naquele antigo programa de televisão, a felizarda tornava-se princesa por um dia; garotos não sonham em ser presidentes (salvo raríssimas exceções), mas sim reis; e, falando nisso, qual garota nunca sonhou em ser “salva do perigo” pelas mãos de um belo príncipe? O próprio imaginário popular já nos remete a uma ideia de monarquia!

Mas que monarquia é essa? O que ela é? Como ela funciona? Apesar de pensarmos na monarquia com glória e pompa apenas, nunca paramos para pensar o por que países como Reino Unido, Suécia e Japão ainda tem um rei ou rainha (ou ainda um imperador no caso dos nipônicos).

Bom, para começo de conversa, não defendemos em hipótese alguma uma monarquia absolutista. O que queremos é uma monarquia parlamentar e constitucional. Vejamos a diferença entre os dois:

Absoluta: o rei tem total controle do governo e do Estado. Ele é o senhor absoluto e governa por decreto: nada diferente de uma ditadura. Apenas cinco países atuais tem essa forma de governo: Arábia Saudita, Brunei, Omã, Suazilândia e o teocrático Vaticano. Interessante notar, com exceção do Vaticano que é um caso à parte, que os três primeiros são monarquias islâmicas e a Suazilândia é tribal.

Parlamentarista: o rei tem poderes reduzidos. Na verdade, ele não pode fazer muita coisa como o imaginário pensa, pois não cabe a ele o Poder Executivo. Numa monarquia parlamentar há quatro poderes: o legislativo, o judiciário, o executivo e o moderador, – esse último cabe ao monarca. Como já foi explicado no post do nosso amigo Érick Delemon, o poder moderador serve para chefiar o governo, sendo o rei os olhos do povo! Como já foi escrito sobre isso, não vou discorrer em como ele funciona, mas exemplificarei em como ele seria eficiente.

Constantemente ouvimos falar de corrupção em vários países no mundo, mas nunca ouvimos falar disso por exemplo na Suécia, ou Reino Unido. Num caso como o do mensalão, onde muitos políticos saíram impunes, o rei poderia fechar o legislativo e convocar novas eleições. Cumpre-se o papel que na república seria o do povo, que é o de chefiar os políticos e eliminar os maus governantes, mas com menos burocracia! Ora, na república temos que aguentar essa impunidade toda, pagar o salário de políticos safados que fizeram parte de um esquema de compra de votos com o nosso dinheiro e não temos direito algum de tirá-los do poder (salvo o executivo em caso de impeachment) até as próximas eleições. Absurdo! Numa monarquia, não, nela o POVO é representado pelo REI, que é o moderador soberano da nação.

Mas voltando ao exemplo da Suécia, Reino Unido e de outros países monarquistas, podemos argumentar que o baixíssimo índice de corrupção se deve à cultura local, o que não está errado, mas para existir essa cultura de retidão, antes houve um bom exemplo: o monarca. Ora, um político não vai arriscar perder seu cargo para se corromper, pois ele vai sofrer as punições da lei – pois, sim, nesse sistema a lei é cumprida – e ainda ficar com sua imagem manchada para todo o sempre! É muito mais fácil a população se lembrar daquele político que cumpriu pena e que teve seu cargo caçado pelo poder moderador, mesmo anos depois. Está aí o remédio para a nossa amnésia política!

A esta altura, é natural que se pense agora: mas e se o rei for corrupto também? Respondo com uma frase de Ruy Barbosa, um parlamentar republicano que tornou-se monarquista após ver as mazelas que a república trouxe ao Brasil, proferida em 1914 no então Congresso Nacional:


Havia uma sentinela vigilante, cuja severidade todos temiam, e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade. Era o Imperador Dom Pedro II.”

Ruy Barbosa



Um fato histórico interessante de se citar aqui é que os republicanos, ao assumirem o poder à força no golpe militar de 1889, ofereceram a D. Pedro II uma grande quantia em dinheiro para seu asilo político. Ele recusou o dinheiro dizendo que este pertencia ao Brasil e pediu apenas um saco com terra brasileira, para que ele pudesse se lembrar daqui. Morreu sem pompa e sem dinheiro num quarto de hotel na França!

Para um nobre, a honra e a moralidade, cultivada desde a infância, são mais importantes que sua própria vida! Outro motivo para o rei não se corromper é o fato do poder dele não depender de partidos políticos, afinal ele DEVE ser suprapartidário, ou seja, ACIMA dos partidos e ABAIXO do Estado. Quero dizer com isso que o rei deve servir ao país (sim é o rei que serve ao Estado e seus súditos, não o contrário como pensamos) e não servir a partidos. Não há motivo para se corromper se ele não faz parte de algum partido e seu poder não depende do governo vigente.

Aliás, aí está um bom papo! Governo e Estado. A república nos fez confundir os dois, mas são diferente, bem diferentes. Mas daí já é outro assunto, deixarei para explicar isso no próximo post.

Espero ter esclarecido bem alguns pontos, caso contrário, perguntem-nos nos comentários, ou envie diretamente em nossos Twitters e faremos uma postagem explicando sua dúvida.

Até o próximo esclarecimento!

 
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