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Duas monarquias

Toda e qualquer discussão sobre a monarquia em âmbito acadêmico, no Brasil, deve ser de imediato tomada como verdadeira sujeição intelectual a toda sorte de verborragias republicanas. Em outras palavras, o republicanismo reinante nas paredes das universidades decorre não de um estudo da própria república - e de suas consequências enquanto regime político destrutivo -, mas de um estudo das fraquezas da monarquia de outrora e da exploração dos reis sobre o povo coitado.

A mera apresentação de dados que comprovam que as nações monárquicas são, em suma, as mais civilizadas já causa repulsa nos doutos, fazendo com que a argumentação que se falava dos tempos atuais agora passe a uma análise "realista" da perversidade dos reis na era medieval. Os reis de hoje, dizem, são meras sombras da verdadeira atuação maléfica daqueles que antes destruíram povos e nações inteiras, sob a conivência de milhões de pessoas em passividade quase teatral.

Outras perspectivas são dadas, que vão da monarquia enquanto o retorno ao medievalismo (o que não consideraria um mal, leia-se), até a monarquia como a síntese da corrupção governamental.

Todavia, de fato concordo que em muito a culpa para com essa visão utilitária da monarquia seja dos próprios monarquistas. O vigor do rei como imagem do vigor de uma nação se transformou gradativamente em tietagem, em verdadeira bajulação desenfreada de figuras monárquicas em desonra à própria monarquia. Não observam mais o rei como instituição passível de críticas e subsunções, e sim como figura carismática. Os príncipes, não como sucessores do trono que sustenta toda a moral política de uma nação, mas sim meros personagens folclóricos e que ao final apenas servem para perpetuar essa domesticação.

Em recente conversa com um monarquista (um dos poucos que conheci na universidade), o mesmo me explicou que a Inglaterra vive sob essa ótima. Perdeu-se a concepção do rei e da rainha em suas posições de realeza. Perdeu-se o fundamento da família real que, se destruída, também arruinaria a própria estrutura parlamentar, em abalo evidente à nação. Perdeu-se o alicerce da família real que por séculos antecedeu revoluções destrutivas, eliminando-as em nome de Deus e em nome do próprio povo. A monarquia inglesa, afirmou, é para muitos ingleses hoje dispensável e somente interessante em datas festivas e tabloides de escândalos e casamentos. É crescente as manifestações por uma era republicana inglesa, geralmente oriunda de mentes ligadas ao esquerdismo francês.

Por outro lado, é crescente as manifestações de retorno à monarquia portuguesa. Após um século de degradação republicana, e somente após constatarem que os ímpetos de uma nação giram em torno de uma figura central unificadora, almejam os lusitanos a restauração dos valores monárquicos por meio da dissolvição da figura do presidente e seus ministros.

É ver na história brasileira que a monarquia esteve ligada ao conservadorismo político e à exaltação da propriedade enquanto direito natural inerente a todo homem. Que nos idos da monarquia enquanto império louvava-se a livre iniciativa como constituidora das virtudes do indivíduo trabalhador, que no labor fazia de sua nação a casa das terras das liberdades política, religiosa e econômica.

E que seus herdeiros ainda proclamam a educação conservadora corrompida pelo republicanismo.
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Esclarecendo a Monarquia, Parte 3: Nossos Herdeiros

Já falamos muito em monarquia e dos tempos do império, mas uma pergunta que sempre fica no ar a quem desconhece a causa monárquica é: “quem são os herdeiros do trono brasileiro?”

O fim da monarquia no Brasil não significou o fim da família imperial. Não houve a extinção da dinastia, pelo contrário, D. Pedro II e sua família foram exilados. Matar a família imperial seria algo que levaria a uma revolta popular dantesca, visto que eram muito queridos pelo povo.

Não pretendo aqui fazer uma árvore genealógica desde a princesa Isabel, pois o post se tornaria muito extenso, muito menos fazer uma biografia completa, minha intenção é apenas apresentar os príncipes brasileiros. Falarei dos herdeiros do trono em linha sucessiva.


Dom Luís Gastão de Orleans e Bragança

Dom Luís, também conhecido como Dom Gastão, é o chefe da Casa Imperial Brasileira, isso significa que caso o Brasil fosse ainda uma monarquia, ele seria o Imperador. Ele é o filho mais velho do príncipe D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança e da princesa Dona Maria Isabel da Baviera.

É formado em química pela Universidade de Munique e fala fluentemente o português, o francês e o alemão, além de compreender bem o italiano e o inglês. Como a família imperial foi exilada, ele só veio a conhecer o Brasil em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, quando a cláusula pétrea da constituição brasileira que não permitia que a família imperial se fixasse no Brasil foi revogada.

D. Luís teve paralisia e é muito doente, por isso não é muito comum vê-lo como um ator mais incisivo em questões que envolvem o Brasil, apesar de fazê-lo de forma discreta.


Dom Bertrand Maria José de Orleans e Bragança

É o Príncipe Imperial, segundo na linha de sucessão do trono. Na realidade, por D. Luís não gozar de saúde plena, muito provavelmente ele seria o príncipe regente.

D. Bertrand, assim como seu irmão, passou a infância na Europa e veio ao Brasil junto com ele. Estudou direito no Largo São Francisco, a tradicional escola de direito de São Paulo, hoje parte da USP.

Alguns monarquistas não gostam muito do fato dele fazer parte da sociedade católica TFP (Tradição, Família e Propriedade), pois isso não expressa a realidade brasileira, porém trata-se de uma escolha individual do príncipe. É a figura mais atuante do movimento monárquico, tendo se reunido com representantes das diversas casas nobres da Europa antes do plebiscito de 1993 para falar sobre a causa monárquica do nosso país. Ele também é líder do movimento “Paz no Campo”, que atua contra movimentos terroristas que invadem propriedades rurais. É um grande opositor da reforma agrária.


Dom Antônio João de Orleans e Bragança

É o terceiro na linha de sucessão do trono. Brasileiro nato, da cidade do Rio de Janeiro, cresceu em Jacarezinho, Paraná, numa fazenda onde a família imperial viveu entre 1951 e 1964. Fez os estudos secundários (hoje colegial) em Vassouras, RJ, e depois graduou-se em Engenharia Civil na Universidade Barra do Piraí.

Teve uma educação moral e religiosa muito forte de seu pai, Dom Pedro Henrique, que queria transmitir aos filhos todos os princípios monárquicos, sendo educado como um verdadeiro príncipe.

Também é muito conhecido por ser um aquarelista de renome, sendo um expoente nessa arte aqui no Brasil.


Dom Rafael Antônio Maria de Orleans e Bragança

Mora no Rio de Janeiro com a tia Dona Isabel. Estudante de engenharia de produção na PUC-Rio e estagiário na AmBev, é o quarto na linha de sucessão do trono e o mais jovem dos príncipes. Tornou-se o sucessor depois da morte de Dom Pedro Luís, que era três anos mais velho, no acidente da Air France. É tido como um porta-voz da juventude monárquica, devido a sua mocidade. Sua irmã mais velha, Dona Amélia, é sua sucessora.


 
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